Ok, nós estamos ferrados. Mas, será que todo mundo sabe disso? Olha a notícia de hoje: A partir de 1º de agosto a Humanidade entra em déficit ambiental com o planeta”. Fico me perguntando, quantas pessoas entendem o que isso significa. E a escola, como trata o assunto? Não preciso fazer uma pesquisa profunda para chegar a uma conclusão: a escola está muito longe de tratar o tema como a seriedade e urgência que merece. A escola, aquele edifício estilo fábrica, onde entram criancinhas lindas cheias de criatividade e vida, está em processo de putrefação acelerada. Dela saem ex- crianças, verdadeiros zumbis subservientes a um sistema que está levando a espécie humana a sumir do planeta, adultos infelizes, que consomem Rivotril para continuarem entorpecidos e aguentar o tranco de uma vida sem sentido. Uma escola-edifício, onde se reúne uma categoria profissional, que passa mais tempo de licença médica por depressão, estresse e outras mazelas, do que sendo feliz com o que faz. Um edifício, que é parte de um sistema de ensino burocratizado, triturador de qualquer intenção de fazer uma educação de qualidade, abarrotado de normativos caducos, cheios de traça e cupim.

Vivemos um momento complexo. O tempo para fazermos uma mudança efetiva na nossa forma de nos relacionamos uns com os outros e com o planeta está cada dia menor. Enquanto o tempo passa, a escola da Revolução Industrial continua a instruir seus operários a atarraxar os “parafusos”, que mantêm as engrenagens do sistema funcionando. Ninguém conta para os pobres alunos que vão herdar o mundo das mudanças climáticas, que eles farão parte da geração das grandes transformações, na qual a quebra de paradigmas é inevitável.

Pico do petróleo, escassez de água potável, crise econômica, devastação de florestas (para criação de gado, a maior fonte de metano emitido na atmosfera, consumo de água, degradação de solo etc.), doenças, fome … Tá bom, tá bom… vou tentar ser menos apocalíptica, mas tá difícil …

Você sabe o quanto de recursos naturais são necessários para que você coma um bife? A escola, trata desse assunto? Fala de análise de ciclo de vida do produto, pegada ecológica, economia solidária, mudança de hábitos alimentares? E, se fala, ela pratica?

Enquanto isso, brincamos de educação ambiental, achando que estamos fazendo um bom trabalho. Lamento informar que, por mais boa intenção que se tenha, isso não é suficiente.

Teve um cara – dizem que ele foi um gênio – que disse o seguinte: Não se pode encontrar a solução de um problema, usando a mesma consciência que criou o problema. É preciso elevar sua consciência.” Humm, acho que foi Albert Einstein. Pois é, não rola continuar separando a galera em turminhas por idade e série, dando aula, fazendo provinha, para avaliar se aprenderam alguma coisa daquele currículo que não serve para o século XXI.

Gente, acorda! A coisa é séria! Já temos indicadores suficientes, que comprovam que o atual modelo educativo não serve, nem para hoje, nem para amanhã. O que falta fazer para mudar?

Tem gente que tem medo… – “Eu sou servidor”… – e que se sente intimidada com a o poder da hierarquia, com um poder discricionário, autoritário. Eu tenho medo é de não ser coerente com a minha consciência.  de saber, com base em dados, que a porta que nos leva a um caminho muito, muito sofrido já está aberta. E que, mesmo que esse caminho não seja meu, será de toda uma geração. E que algo precisa ser feito com urgência. E que a escola é o lugar certo para fazer o que precisa ser feito, para além da esperança. Só espero que dê tempo.

 

Por Cláudia Passos