Exercício educativo fez parte do encontro com a permacultora Mônica Carapeços


No dia 5 de março, os participantes da Comunidade Gaia Escola promoveram uma feira de trocas com a orientação pedagógica de Mônica Carapeços. A proposta da educadora foi mapear dentro do Gaia talentos e iniciativas de geração de renda para trazer, por meio da prática de trocas, os princípios da economia solidária como o valor das coisas e a cooperação. A experiência da feira funcionou como um exercício educativo para trabalhar também o conceito de moeda social e a importância do consumo local. “O problema não está no dinheiro, está na forma como nos relacionamos com ele”, explica a educadora.

Para Mônica, o que diferencia a economia convencional da economia solidária é a grande base de ética e esse novo olhar é imprescindível no mundo sustentável que buscamos. Nessa entrevista ela, que vive em uma Comunidade- Escola de Permacultura em Brasília (Sítio Nós na Teia), conta um pouco sobre a cultura da permanência e da sustentabilidade vivida na Permacutura e como podemos inserir instrumentos da economia solidária, como a feira de trocas, no contexto escolar.

Quais são os principais aprendizados das feiras de trocas?

É o exercício da pessoa pensar em tudo que pode oferecer, todas as habilidades, saberes e recursos que ela tem e também do que ela precisa. É construir um diálogo entre um coletivo, compartilhando necessidades e desejos e naturalmente na rede isso vai criar círculos de troca. Então temos desde as trocas que são feitas de maneira muito informal, como entre vizinhos e isso nas comunidades tradicionais é o dia a dia deles. Quando criamos a moeda, facilitamos essa permuta, pois nem sempre o que você tem a oferecer me interessa naquele momento. Aí a gente cria uma estrutura semelhante à que temos na moeda oficial, só que com outra estrutura de valores, usamos toda a tecnologia que a sociedade criou, mas mudamos a lógica. O problema não está no dinheiro, está na forma como nos relacionamos com ele.

Como inserir a feira de trocas em um contexto escolar?

O primeiro passo é mapear as necessidades de consumo na escola, o que preciso e o que tenho para oferecer e exercitar com o paradigma da abundância, porque a gente se conecta muito com o que tenho em reais, mas temos que rever esse conceito. É importante perceber que todos nós somos abundantes, todos nós temos muitas habilidades, muitos recursos, muitos produtos e serviços. Então, para uma pessoa que quer começar a usar isso nas escolas pode começar por trabalhar essa possibilidade das trocas, de ver o grande potencial que todos os lugares têm, às vezes a pessoa do teu lado tem o que você precisa, mas você não sabe. Temos ferramentas muito simples como fazer um mural de necessidades e desejos, temos várias formas de estruturar estas redes de trocas. A feira de trocas é uma das formas, podemos fazer feira de trocas de brinquedos entre as crianças, por exemplo.

Qual é a ligação da economia solidária com a permacultura?

O que precisamos para viver e ser feliz? Preciso de moradia, preciso de alimento, energia, dinheiro ou de uma forma de me relacionar, trocar para obter o que não consigo produzir, ninguém consegue produzir tudo. A economia é uma área essencial para a gente viver e ser feliz. A permacultura é um conjunto de áreas que estudamos e exercitamos, em que a economia entra como uma estrutura invisível, porque permeia tudo, como a educação. E muito dos problemas que vivemos hoje é por causa da economia, a compreensão do mundo econômico, de crescimento ilimitado, ela é completamente incoerente com os ciclos naturais. Se a gente  não rever estes valores, a gente não tem como se sustentar, num mundo finito de recursos, termos um crescimento ilimitado não é sustentável. Essa mudança econômica para uma economia mais ética, sustentável de partilha, é essencial.

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