Sempre que me é possível, acesso redes sociais, para “sapiar” as notícias. O dia de hoje não foi diferente de outros dias. Deparei com aberrações da nossa pseudo humanidade. Fico pensando: que seres estranhos nós somos! Que futuro teremos? Milhares estão morrendo na Síria, na maioria, crianças. Um rap cantado por um jovem carioca, trata com primazia desigualdades socias. O  Neymar numa foto, cercado por repórteres, muito glamour midiático, por conta de um dedinho quebrado. Uma manifestação caraterística da Idade Média em pleno seculo XXI: Professora obriga menino canhoto de 4 anos a escrever com a mão direita. A mãe do menino reclamou e recebeu um bilhete, que associava o fato de escrever com a mão esquerda ao “mal” e ao “demônio””.

No futuro, o nosso tempo talvez vá ser conhecido como uma época de loucos (se sobrar alguém para contar…). Mas, no meio de tanta desgraça, uma luz no fim do túnel: muita gente querendo e fazendo diferente.

Será? Meu rigor crítico faz questionar (não sou pessimista). Vejo muitas iniciativas, visando mudar o status quo: “Globo lança campanha pela qualidade do ensino público no Brasil”. Mas… a Globo saberá o que é qualidade do ensino? Quais os parâmetros e critérios irá a Globo considerar, para definir educação de qualidade?

Gostemos dela, ou não, a Globo entra em todas as casas, é formadora de opinião. Os educadores, que buscam uma nova educação estarão atentos a estes movimentos? Terão clareza dos interesses que habitam as entrelinhas do “sistemão”?

Na chamada da matéria, a Globo recorre à imagens fortes: escolas públicas em estado de abandono, depredadas. Em seguida, o jornalista intervém, sentado numa sala de aula de carteiras enfileiradas. E discursa: “Eu fui aluno de escola pública…”. A cena seguinte é a de uma sala de aula, carteiras enfileiradas, professor escrevendo no quadro, alunos uniformizados, copiando…  no século XXI!

“Antes (diz-nos a reportagem), esta era uma escola com muitos problemas. Aí, a comunidade começou a participar. E tudo mudou”…

Ao que parece, basta um passe de mágica: “E tudo mudou!”. Numa sala de aula, carteiras enfileiradas, professor escrevendo no quadro, alunos uniformizados, copiando…  o que só pode ser do século XIX!

Não posso deixar de compartilhar a minha apreensão e angústia. Parece que não existe uma verdadeira intenção de valorizar a escola pública, mas de, no meio do caos em que nos encontramos, buscar paliativos para resolver o problema. A educação é um setor estratégico para o desenvolvimento do ser humano e, consequentemente, de um país. E não melhorará através de iniciativas que apenas mitigam e disfarçam a crise da escola.

Será por ingenuidade, ou por incapacidade, que continuaremos permitindo que a mídia seja legitimada como difusora de um conceito enviesado de qualidade de educação?

Fiquemos atentos. Assumamos o nosso papel nesta história, ou….

Por: Cláudia Passos