Um projeto educacional é um projeto de sociedade. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica dizem-nos que “a escola precisa ser reinventada: priorizar processos capazes de gerar sujeitos inventivos, participativos, cooperativos, preparados para diversificadas inserções sociais, políticas, culturais, laborais”.

A educação deve contemplar a humanidade dos educadores e educandos em sua totalidade, sendo coerente com a indivisibilidade das dimensões biológica, mental e espiritual de cada pessoa. Para atingir tais fins, se apresenta como necessário conceber novas construções sociais de aprendizagem – poderemos designá-las “comunidades de aprendizagem” – a partir de escolas dotadas de autonomia.

O percurso transformativo “Escolas em Transição” foi especialmente desenhado para educadores inquietos, constituídos em núcleo de projeto, que desejam reconfigurar sua prática educativa em equipe. Tem como objetivo propiciar condições de sustentabilidade ao processo de transição do modelo transmissivo para uma nova abordagem pedagógica, em conexão com as demandas do século XXI.

Integra três ciclos de aprendizagem, que apoiam a criação de comunidades de aprendizagem: Iniciação, Transição e Desenvolvimento. Investiga as bases teóricas e práticas fundamentadoras de uma nova construção social da aprendizagem, o que requer uma reelaboração cultural alicerçada em valores, princípios e acordos pactuados no núcleo de projeto. Isto é: a INICIAÇÃO da transformação do educador; a TRANSIÇÃO da escola com a implementação de dispositivos pedagógicos típicos de uma nova educação; e o DESENVOLVIMENTO, com a implantação de um protótipo de comunidade de aprendizagem.

Ecossistema do Projeto de Transformação

A partir da criação de núcleos de projeto de transformação, constituídos por educadores éticos vinculados a um projeto educativo, outros educadores agregam-se ao núcleo, formando redes de projetos. Nos processos de transformação por eles desenvolvidos, dão resposta a demandadas e necessidades locais, geram competências específicas, produzem conhecimento e cultura. A conexão em rede entre núcleos de projeto de um mesmo território cria um ecossistema propício para formação de comunidades de aprendizagem.

Metodologia

Visando atender aos problemas, necessidades, desejos e sonhos de sujeitos aprendentes, o projeto “Escolas em Transição” recorre à metodologia de Trabalho de Projeto, sendo vivenciado o passo-a-passo da reconfiguração da prática escolar e a construção de um protótipo de comunidade de aprendizagem.

O percurso de aprendizagem terá um total de 22 horas de atividade presencial, à distância.

  • Presencial:  14 horas
  • Tutoria virtual: 8 horas
O processo transformativo será realizado pela equipe da EcoHabitare e Mediadores Educativos Locais.
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Investimento

Os projetos transformativos da EcoHabitare se orientam por uma visão colaborativa de sustentabilidade. Desde modo, todo o investimento necessário para sua realização é gerado a partir do desembolso financeiro dos participantes e de uma rede de apoio. Acreditamos que um projeto de transformação pressupõe o envolvimento direto e indireto de muitas pessoas. Esse tecer junto fortalece o potencial viral que sonhamos.

Os valores serão divulgados após as pré-inscrições e poderão ser reduzidos, acaso consigamos, juntos, construir de forma criativa a viabilidade financeira dos projetos, por meio de múltiplas estratégias de sustentabilidade (financiamento coletivo, parcerias, patrocínios e sistema de trocas). Para isso, a sua rede de amigos é muito importante na criação de um campo de abundância em todas as dimensões.

Os primeiros indicadores de mudança educacional revelam significativos efeitos da formação já realizada. As escolas onde intervêm aqueles com quem já trabalhamos ousam, com prudência, reconfigurar as suas práticas, assumir formas específicas de organização do trabalho escolar, em dispositivos de relação, nas atitudes do dia-a-dia, que viabilizam práticas de educação integral.  Essas escolas estão no caminho do cumprimento efetivo dos seus projetos político-pedagógicos…
Está a ser lento, ainda em fase de testagem. As mudanças em educação são lentas (e até mesmo contraditórias).

A profissão de professor não é um ato solitário, mas solidário. E o trabalho em equipe pressupõe um permanente convívio, estabilidade e lealdade a valores e princípios de um projeto. As escolas brasileiras transformar-se-ão quando, através da referência a uma matriz axiológica, a uma visão de mundo e sociedade traduzidas num projeto, operem rupturas com uma tradição de educação hierárquica e burocrática.  Não está a ser fácil lidar com um poder público herdeiro dessa cultura.

É nesse sentido que o Gaia Escola pacientemente age.

Os ciclos de aprendizagem são cumulativos e têm referência modalidades de formação como o círculo de estudos, oficina e projeto, bem diferentes das modalidades como o curso, o módulo, o seminário, o estágio, ou o treinamento, modalidades típicas de um velho modelo educacional reproduzido pelas instituições de formação.

A formação de professores continua imersa em equívocos, continuamos cativos de um modelo de formação cartesiano, que impede um re-ligare essencial. Sabemos que um formador não ensina aquilo que diz, mas transmite aquilo que é, veicula competências de que está investido. Mas, ainda há quem ignore a existência do princípio do isomorfismo na formação, quem creia que a teoria precede a prática, quem considere o formando como objeto de formação, quando deveria ser tomado como sujeito em autotransformação, no contexto de uma equipe, com um projeto. Prevalecem práticas carentes de comunicação dialógica, culturas de formação individualistas, de competitividade negativa, de que está ausente o trabalho em equipe.

Partir daquilo que cada professor é, valorizar aquilo que ele sabe fazer, dar-lhe tempo para refletir, agir e voltar a refletir e a agir.

O nosso papel essencial será o da criação de condições de reelaboração da cultura pessoal e profissional dos educadores. E a avaliação das transformações operadas será feita no chão das escolas e comunidades, isomorficamente: o modo como o professor aprende é o mesmo modo como ensina.

Com ou sem novas tecnologias de informação e comunicação, a escola precisa ser reinventada. Mas do modo como as novas tecnologias estão sendo introduzidas nas escolas, temo que se transformem em panaceias, que apenas sirvam para congelar aulas em computadores, aulas que os alunos, acostumados ao imediatismo e à velocidade dessas tecnologias, acriticamente consumam, sem resquícios de cooperação com o aluno vizinho, dependentes de vínculos afetivos precários, estabelecidos com identidades virtuais.

Os professores do “futuro” irão manter-se ancorados em aulas obsoletas servidas por lousas digitais, ou irão atualizar-se? Irão replicar aulas congeladas no YouTube e em tablets, ou irão usar o digital ao serviço da humanização da escola?
Apenas será necessário saber o que fazer com as novas tecnologias. É certo que as escolas se têm enfeitado de novas tecnologias, mas sem lograr intensificar a comunicação e a pesquisa, enquanto o Gaia Escola pretende contribuir para a utilização da tecnologia digital como apoio de humanização do ato de educar. Haja esperança.

Rede Escolas em Transição

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“Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é assim, vida. No sentido mais autêntico da palavra.” Anísio Teixeira