Processo formativo reúne 208 participantes que irão aprender na prática a reconfigurar a prática pedagógica nas escolas

 “Se as escolas não têm aula, não têm turma, não têm série? O que elas têm? Elas garantem o direito à educação”, afirmou o professor José Pacheco ao abrir hoje (18), o primeiro encontro virtual da formação “Aprender em Comunidade”. O processo formativo oferecido pela Ecohabitare, em parceria com o Instituto Gaia Escola, reúne 208 participantes, sendo 46 de Portugal,  e terá duração de cinco semanas. Garantir o direito à educação e desenvolver, ao final da formação, práticas fundadas no paradigma da aprendizagem como a Escola da Ponte, são alguns dos objetivos deste percurso formativo.

 Quem vai acompanhar a aprendizagem dos participantes serão 13 formadores que já fizeram a transição para uma nova educação no chão de escola, acompanhados, cada um, por mais dois tutores em formação.  A coordenação pedagógica do projeto será de Pacheco e Cláudia Passos. “Vamos partir daquilo que o professor sabe, de suas competências para aprender fazendo”, ressaltou Pacheco, ao lembrar que a formação é isomórfica, a maneira como o professor aprende é a mesma como ensina.

Na primeira reunião com todos os envolvidos (equipe + participantes), foi apresentada a metodologia, a forma de avaliação (portfólio) e a programação do processo formativo. No dia 21, cada núcleo saberá quem vai ser seu tutor e, a partir daí, os encontros com seu grupo serão duas vezes por semana. Durante a videoconferência, os formandos tiveram a oportunidade de conhecer cada um dos 13 tutores, que, no encontro, foram responsáveis por apresentar as etapas para a reconfiguração da prática pedagógica.

O primeiro passo para a transição, segundo João Bárbara, é encontrar educadores inquietos para formar um núcleo de projeto, a equipe responsável por iniciar o processo. Carol Florêncio ressaltou que este grupo tem como base seus valores, traduzidos em ação na Carta de Princípios, “coração de um projeto transformador”. O uso de dispositivos de relação foi abordado por Cecília Pinheiro, que lembrou da importância de construir acordos de convivência e um código de conduta, na forma de “direitos e deveres”. Camila complementou falando da importância da Assembleia, um dos dispositivos de gestão democrática.

Mapear o potencial educativo local, “promover o enraizamento”, foi o destaque na fala de Anderson, complementada por Alice Watson, que ressaltou a importância das necessidades da comunidade estarem refletidas no Projeto Político Pedagógico das escolas. O único português no time de formadores, Antônio Quaresma, tratou do Regimento Interno, “projeto de ação educativa da escola”.

Imagine uma escola onde os educadores e educandos não precisem tirar férias ao mesmo tempo? Que os tempos e espaços sejam ressignificados?  “Precisamos repensar a sociedade através da escola”, defende Edilene Morikawa. Nesta escola, as crianças e jovens aprendem por meio de um currículo de tripla dimensão curricular: currículo subjetivo, de comunidade e de consciência planetária. Thiago Oliva acredita que a interdependência entre os sonhos, projetos de intervenção local e global são os instrumentos para se criar uma “Cidadania planetária, onde os sujeitos são responsáveis pela manutenção da vida no planeta.”

Para a realização deste currículo, é necessária a elaboração de roteiros de estudos com os educandos, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada um, afirma Sandra dos Santos. Segundo Patrícia Souza, o roteiro demanda a pesquisa, síntese e compartilhamento do que foi aprendido, além do acompanhamento individual e coletivo de um tutor. Muitas vezes, os roteiros de estudos culminam em projetos coletivos, de transformação social, como exemplificou Janaína Chichôrro, ao contar sua experiência com jovens que queriam apoiar os idosos em um asilo durante a pandemia. Todas as evidências de aprendizagem ao longo do processo de pesquisa são registradas no portfólio do educando, como explica Fósforo, “a avaliação é um processo de aprendizado que acontece enquanto se está pesquisando, compartilhando e vivendo. Não está em uma situação estanque como uma prova”.  

Esta nova escola é possível. Uma escola sem provas, aulas, turmas, séries, onde as crianças aprendem, cada uma no seu ritmo, a partir das relações humanas, do afeto. Esta é a escola que queremos durante e ao final deste período de pandemia. Começamos hoje a articular a rede de comunidades de aprendizagem que irá transformar, de fato, a educação. Faça parte deste movimento, acompanhe aqui todo o processo formativo “Aprender em Comunidade”. “É tempo de uma mudança profunda”, conclui Passos. Vamos juntos!

Por: Alice Watson